Não é minha intenção desmerecer quem vai até Machu Picchu de trêm/ônibus/van/carro, de forma alguma. Mas a trilha que fiz até lá foi certamente uma das experiências mais legais e marcantes que já tive, por inúmeros motivos. Existem inúmeras trilhas até Machu Picchu, como a trilha Inka clássica, a trilha Salkantay e a Inka Jungle Trek, que foi a opção que escolhi, em razão das atividades que envolvia (bike, tirolesa e rafting – que estava indisponível em razão das chuvas).
Abaixo segue o relato de cada dia da Inka Jungle Trek e, ao final, como resolvi marcar a experiência em mim:
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Dia 1 – Cusco à Santa Maria – Downhill Bike e Trilha
O primeiro dia da Inka Jungle Trek inicia cedo, com uma viagem de van de Cusco até Abra Malaga, um local situado a 4.200 metros de altitude. De lá, partimos para um trajeto de bike até Santa Maria. O trajeto todo tem aproximadamente 70 km, praticamente todo “ladeira abaixo”. Em razão da altitude, o início do trajeto é frio, em um clima de montanha. Conforme se desce, você nitidamente sente a troca de clima, para uma temperatura mais tropical, entrando no clima de floresta.
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O trajeto é todo feito no asfalto, e por inúmeras vezes você cruzará cursos d’água que transcorrem por cima do asfalto. É certeza que você terminará o dia encharcado. Então, se possível, leve um par de tênis extra.
As paisagens no caminho são indiscritíveis. Veja abaixo um vídeo que fiz do trajeto de bike e aqui as fotos.
Após o trajeto de bike é servido um almoço em um restaurante local. De lá, seguimos de van até o trecho onde se inicia a trilha para o local da nossa primeira noite. A trilha é curta, de aproximadamente meia hora.
O local da primeira noite é espetacular, fica situado no meio da floresta, com instalações bem simples. Todo o grupo dorme no mesmo cômodo, que possui algo em torno de 20 beliches.
Destaque fica para o mongoose “domesticado” que vive lá:

Dia 2 – Santa Maria à Santa Tereza – Trilha
O segundo dia é inteiro de trilhas, uma caminhada longa, exaustiva, e que me causou um sério problema no joelho. Verdade seja dita, o problema não foi culpa da trilha, e sim de uma pré-condição já existente minha. O resto do grupo, além do cansaço, não sentiu absolutamente nada.
Resumindo, do segundo dia em diante eu só conseguia mancar, e com muita dor. Mas isso tornou a viagem ainda mais desafiadora, e não arruinou em absolutamente nada toda a aventura.
Mas falando da trilha em sí, mais uma vez paisagens lindas, algumas paradas para descanso/conversa/fotos. Esse dia rendeu fotos lindas. Depois de mancar muito e ficar para trás no grupo, enfim chegamos, ao fim do dia, às águas termais de Santa Tereza.

Uma das principais razões que fizeram essa experiência ser tão marcante foi a forma como todo nosso grupo (aproximadamente 15 pessoas) se deu bem. Isso rendeu boas conversas, novas amizades e um desafio de futebol ao fim do segundo dia entre os 3 escoceses do grupo mais um australiano contra 2 brasileiros e 2 argentinos. O jogo terminou 2 a 2 e sim, mesmo sem conseguir andar, eu joguei.
Dia 3 – Santa Tereza à Águas Calientes – Trilha e Tirolesa
Nem todos do grupo fizeram a tirolesa, mas o que fizeram certamente não se arrependeram. Essa foi a primeira atividade do dia, e eu não poderia ter feito escolha melhor, não só pela diversão em si, mas também por ter poupado algumas horas de caminhada com o meu joelho ruim.

O maior trecho da tirolesa fica situado a 150 metros do chão, e percorre uma distância de aproximadamente 400 metros.
Para maiores informações, clique aqui. Veja também abaixo o vídeo que fiz:
Depois da tirolesa, o grupo todo se encontra para o almoço, na hidrelétrica de Santa Tereza. De lá, parte a trilha até Águas Calientes.
Essa trilha é feita praticamente toda sobre os trilhos do trem, em superfície plana. É uma caminhada leve, apesar de longa, e com paisagens também deslumbrantes.

Em Águas Calientes há também um local para banhos em águas termais. Sinceramente, fiquei decepcionado ao chegar até o local e decidi nem entrar na água, que tinha cor turva e muita gente. Optamos por conhecer melhor a cidade e descansar, já que no dia seguinte subiríamos muito cedo para Machu Picchu.
Dia 4 – Machu Picchu
O 4º dia inicia com uma subida íngreme e cansativa até Machu Picchu. Infelizmente, não pude fazer esse trecho, já que meu joelho não aguentaria.
Decidi, então, pegar o primeiro ônibus que sai de Águas Calientes até Machu Picchu. É um trajeto rápido, que me poupou das dores que certamente eu teria se encarasse a subida a pé.
Ao chegar em Machu Picchu, temos um tour de aproximadamente 2 horas com nosso guia por toda a cidade. Após, pode-se explorar a cidade livremente, ou subir a montanha de Huayna Picchu (a famosa montanha que fica ao fundo das tradicionais fotos de Machu Picchu) ou a montanha de Machu Picchu, no lado oposto.
A opção é feita quando se contrata o pacote, e nós havíamos optado por Huayna Picchu. Mesmo com muitas dores, encarei a subida íngreme, mas fui recompensado com uma vista incrível de Machu Picchu.
Descrever Machu Picchu é certamente um exercício difícil, que prefiro deixar para as fotos que tirei por lá. Clique aqui para ver o álbum.
Após a visita iniciamos o retorno à Águas Calientes, que pode ser por ônibus ou pela trilha. Em Águas Calientes pegamos o trem de volta até Ollantaytambo, de onde sairia a van que nos levaria de volta à Cusco.
Todo o problema no joelho e as dores que senti me renderam o sentimento de ter conquistado Machu Picchu. Além de uma experiência diferente e marcante, a Inka Jungle Trek me rendeu novas amizades, que embalaram alguns drinks e boas conversas na volta à Cusco e depois em La Paz.
Mais do que chegar à Machu Picchu, todo o caminho que percorri até lá, com as dificuldades que tive, foi o que realmente me marcou. E decidi, ao final, registrar isso de uma forma especial:

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